Jack Qualquer Coisa

Sunday, March 26, 2006

02 (por Michel Gonçalves)

(Continuação do capítulo "Merdas Acontecem")

Ronaldo Alonso Vigil Motta Sanchez (...) Villa (...) Vasquez (mais uma porrada de sobrenomes latinos) Morales, dono da lanchonete, demitiu Jack Foda-se o resto, não por causa da insistência do mesmo em violar a merda alheia e fingir que os pobres excrementos humanos eram bonequinhos estilo comandos em ação, mas por se empolgar tanto com a brincadeira a ponto de arremessar pequenas merdas em direções randômicas para dar um clima de guerra com armas químicas.

O problema não foi o lançamento das bombinhas fétidas, e sim o fato de uma delas ter acertado o prato de uma senhora de idade extremamente avançada, tão avançada que ninguém sabe ao certo como a maldita ainda conseguia se locomover sem as pernas, os braços , os cabelos, os dentes e os olhos. A velhinha aparentemente imortal estaria entre nós até hoje se aquele “míssil” mal-cheiroso não tivesse tomado o lugar do kibe, que naquele momento fatídico localizava-se em seu prato.

Não seria preciso entrar em detalhes sobre a tragédia para a compreensão dos leitores, porém, o relato completo é necessário por motivos que não concernem a vocês, então leiam e não reclamem.

Como muitos obviamente pensaram, a velha não tão imortal assim mastigou o recadinho de Jack e percebendo na hora o mal-cheiro/gosto, cuspiu toda aquela porcaria para o mais longe possível. A sua carência de dentes proporcionou uma velocidade extra no cuspe que a partir daquele dia, ficou conhecido como a super fuafa oral devido a sua assustadora velocidade e o seu cheiro infernal.

A miscelânea nojenta percorreu grande parte da lanchonete, até atingir o olho esquerdo de um outro freguês que por razões desconhecidas, praticava malabarismo com diversas esferas de papel incandescentes e ao receber o inesperado golpe, se assustou, gritou e jogou uma de suas bolinhas flamejantes na pobre velhinha que entrou imediatamente em combustão. No meio do desespero, Jack pegou o primeiro frasco que viu pela frente e despejou na anciã. O resultado não poderia ter sido outro, o fogo se extinguiu, a velha sobreviveu.

Antes que Jack pudesse esboçar qualquer reação, ela pôs-se a caminhar em direção à porta do o recinto praguejando, retirando o excesso de pele morta de seu corpo, sem perceber a presença de uma casca de banana estrategicamente posicionada ao lado de uma quina de mesa, perfeita para descuidados baterem a cabeça e morrer uma morte dolorosa e dramática.
A sorte da idosa milenar foi que sua ausência de pernas impossibilitou-a de pisar na casca, passando ilesa sobre o obstáculo. O azar da mesma, no entanto foi Jack sem Ass no sobrenome, que em uma vã tentativa de se desculpar, pisou nos restos da fruta e foi deslizando até acertar o pé em sua região pancreática, acarretando um grande deslocamento de seu resto de corpo que acabou sendo esmagado pelas rodas coloridas de um trenzinho da alegria que passava naquela hora. Tal fato acarretou na morte instantânea da velha que demorou 7 horas para perceber que havia morrido.


Aqueles que assistiram o sangrento episódio choraram compulsivamente, não pela a morte da criatura desmembrada, mas pela destruição do bondinho que após passar por cima da carcaça da velha considerada indestrutível, bateu em um posto de gasolina e explodiu. As chamas cobriram a vizinhança, enquanto os destroços do bondinho emitiam os últimos acordes da uma musiquinha infantil, mas que naquele dia, fora considerada por todos como a “Balada mortífera da morte sangrenta.”

Não demorou muito para que Ronaldo (aquele monte de sobrenome) Morales, chamasse Jack para uma séria conversa:

- Viu que diabos você fez, homem? Tá vendo o que acontece quando você brinca com a merda dos outros?!

Jack, com os olhos cheios de lágrimas e remelas, responde:

- Sinto muito pela a velha, Morales! Mas ela que foi burra por querer entrar na brincadeira!

Furioso, o chefe grita:

- Foda-se para aquela velha! Que os restos dela apodreçam nos quintos, sextos e sétimos do inferno!


Continua...

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