Jack Qualquer Coisa

Thursday, March 30, 2006

03 (por Lucas Paio)

(Continuação do capítulo "Merdas Acontecem")

- Mas então... qual foi o problema? A batida do trenzinho da alegria?
- Também não! Isso foi até bom! Aquela cambada de bichinhos cantantes!
- Entao... foi o posto de gasolina?
- Não! Você é burro, homem?


- Talvez até seja, Morales... – responde Jack Qualquer Coisa, ainda chorando. Aquele trenzinho da alegria lhe trazia ótimas recordações da infância feliz e repleta de brinquedos que tivera... infância esta que tentara, há alguns poucos momentos, reviver brincando de comandos em ação, porém com o material errado – Você pode me despedir, se quiser... eu não mereço mais trabalhar aqui, depois disso tudo...

- Não merece mesmo! – concordou Vasquez (...) Morales.
- Eu sei... quer que eu beije seus pés? – sugeriu Jack sem Ass (no sobrenome, não no corpo).
- Beijar meus pés? Não, homem! Eu quero que você saia daqui agora!
- Sair? Eu vou ser despedido? Não, Morales... eu não posso ficar sem emprego... mesmo que seja um emprego de merda desses, literalmente. Por favor, pensa mais nessa decisão...

O olhar piedoso de Jack confrontou-se com o ameaçador olho direito e o intrigante olho esquerdo de Sancho Pança Morales. Jack estava ajoelhado, com as mãos grudadas uma na outra como se brincasse de passar anel, de seus olhos saíam tristes e salgadas lágrimas, e todos ao redor se compadeciam com a tristeza do garoto (garoto vírgula, Jack já era quase um vovô! Tá bom, vovô também não, talvez um homem maduro que já saiu da adolescência a long, long time ago). O ameaçador e o intrigante olharam nos olhos de Jack, ajoelhado aos pés de seus donos, uma dúvida no ar, será que Jack será despedido, não será despedido...? A dúvida finalmente desaparece como uma tampa de caneta bic quando cai no chão assim que Morales Precedido de Infinitos Sobrenomes pronuncia sua frase:

- Olha, eu não devia fazer isso. Mas você fica. Vou até dar uma promoção a você: a partir de agora, você é o novo vice-presidente da lanchonete.

Nosso amigo Djek, ao ouvir isso, levantou-se num pulo digno de uma pulga gigante e gritou, hiper-entusiasmado:

- SÉRIO??!

- Claro que não! Nem presidente a gente tem aqui, quanto mais vice-presidente! Tchau! Rua! Fora! Sai daqui! Adiós! – disse o cruel manda-chuva e Todo Poderoso chefão da lanchonete, Ronaldo Alonso Vigil Motta Sanchez Sifuentes Villa (...) Vasquez (coloque aqui seu sobrenome latino favorito) Morales.

E assim, em meio a aplausos (a Morales, não a Jack), vaias (essas sim para nosso infeliz amigo que vive com as baratas), batatas fritas (em cima de uma mesa), gritos (de um menininho que não queria comer), roncos (do estômago de alguns), mesas (espalhadas pela lanchonete), choros (do próprio Jack), portas (anunciando a saída), janelas (uma observação que nos leva a perguntar: Quantas janelas existem no mundo?), vidros (dos óculos de um gordinho na mesa 7), palhaços (todos, segundo a opinião de Jack), fogaréu (da explosão do posto de gasolina), fantasmas (um só, o da velhinha highlander, que ainda não sabia que tinha morrido), tiros (de revólver? de canhão? de espingarda de chumbinho? de meta? Ninguém nunca soube), acordes (da “Balada Sangrenta da Morte Morrida”, ou o que for) e mais uma pá de coisas, que Jack Qualquer Coisa, Sobrenome Espaço Em Branco, sem bigode, saiu da lanchonete onde trabalhara por anos a fio, triste, deprimido, chateado, totalmente deprê. Lá fora, os bombeiros já chegavam, trazidos por um telefonema de alguém cujo nome não tem a menor importância.

Sem vontade de ir pra casa, Jack começou a vagar sem destino, e vagou, vagou, vagou por mais de cinco minutos até alguma coisa chamar sua atenção numa rua deserta: atrás de uma grade branca, na garagem de uma casa onde morava alguém com muito mau gosto, estava um animalzinho que traria na mente do nosso herói fracassado os piores pesadelos de sua vida.

Continua...

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